“Quanto tempo eu dormi?”. A pergunta, que poderia ter saído de um roteiro de ficção científica, ganha outro sentido quando o assunto é nostalgia musical. É a reflexão que surge quando, em meio a uma festa temática, alguém se dá conta de que as músicas que marcaram a juventude agora são tratadas como clássicos e atemporais.
Nas chamadas Flash Nights, festas nostálgicas que celebram sucessos de décadas passadas, as pistas de dança eram dominadas por Beatles, Rolling Stones, Tina Tuner, Irene Cara, Cindy Lauper e Madonna. Eram canções que carregavam, à época, um passado de 20 ou 30 anos. Atualmente, estas festas temáticas ganharam nova trilha sonora.
As pistas de dança já trocaram os clássicos das décadas de 60, 70 e 80 pelas batidas pop dos anos 2000. Christina Aguilera, Britney Spears, RBD, Rouge, Br’oz, Sandy & Junior agora ocupam o posto de ícones nostálgicos de uma geração. São artistas que marcaram a transição entre o fim das fitas cassete e o início da era digital. O fenômeno revela como o conceito de “música do passado” se transforma com o tempo. Se antes o termo flashback remetia às décadas de 1970 ou 1980, hoje o túnel do tempo começa nos anos 2000.
Para muitos, essa constatação causa uma espécie de vertigem geracional, a percepção de que os sucessos da própria adolescência já se tornaram lembranças de pista de dança. No fim, a pergunta “quanto tempo eu dormi?” talvez continue sem resposta. Mas a música segue sendo um dos marcadores mais precisos da passagem do tempo.

