Dias desses, entre uma conversa e outra nos corredores da repartição, voltou à tona um tema que, de tempos em tempos, reaparece com força nas rodas de bate-papo: a influência dos videogames no comportamento das crianças. Pode parecer assunto batido, mas os relatos continuam surgindo.
Uma colega contou uma situação vivida com o filho pequeno, fã de um jogo em que o jogador soma pontos ao atropelar personagens e eliminar alvos. Durante um passeio em família, diante de uma cena corriqueira, o menino sugeriu ao pai que reagisse com a mesma agressividade do jogo. A fala, tão espontânea quanto inquietante, deixou todos perplexos. A reação foi imediata: o jogo foi proibido em casa. Mas, mais importante do que a proibição, foi o diálogo que se abriu a partir dali sobre limites, fantasia e realidade.
Casos assim não são raros. E também não significam que todo videogame é um vilão. Pelo contrário: muitos são ferramentas potentes de criatividade, raciocínio e até empatia. O problema, muitas vezes, está na ausência de mediação. Quando o acesso é livre e irrestrito a conteúdos violentos, sem orientação, sem conversa, a linha entre o que se vê na tela e o que se vive fora dela pode se confundir perigosamente.
Por isso, especialistas reforçam: mais do que limitar o tempo de tela, é preciso estar presente. Saber o que está sendo jogado, entender as narrativas, discutir as escolhas dos personagens, explicar as consequências. Não basta proibir, é preciso acompanhar.
E se estamos falando de uma geração que já nasceu conectada, o cuidado não pode ser só da família. Indústria de games, escolas, políticas públicas. Todos têm um papel. Classificações indicativas claras, jogos educativos, campanhas de conscientização: tudo conta para que a tecnologia seja uma aliada no desenvolvimento, e não um risco disfarçado de diversão.
Como em tantos aspectos da infância, a chave está no equilíbrio. Entre o controle remoto e o controle emocional, que os adultos saibam, de fato, onde está o controle.

