“Comunicação não é o que você diz, mas o que o outro entende.”
A frase do publicitário David Ogilvy é simples, direta e sempre atual.
Quando aplicada à comunicação pública, ela parece fazer ainda mais sentido.
Quem vive a gestão pública, especialmente as equipes de comunicação, já está exausto de ouvir que o problema foi falta de comunicação quando, na prática, houve sim a divulgação do fato em questão. Publicou-se, informou-se, registrou-se. Ainda assim, a sensação de falha permanece.
Isso acontece porque existe uma diferença fundamental entre informar e comunicar. Informar é emitir dados. Comunicar é garantir compreensão. Quando essa distinção não é levada em conta, cria-se um abismo entre o poder público e a população, espaço que, aos poucos, passa a ser ocupado por dúvidas, ruídos e, muitas vezes, desconfiança.
Esse distanciamento não nasce apenas da linguagem técnica ou do excesso de informações. Ele também é fruto de um contexto em que a comunicação passou a ser tratada como uma obrigação formal, e não como parte essencial da própria política pública. Cumpre-se o rito, mas ignora-se o efeito. Fala-se muito. Escuta-se pouco.
Para quem trabalha na comunicação pública, o desafio é diário. É traduzir decisões complexas, muitas vezes impopulares, em mensagens compreensíveis. É lidar com prazos curtos, múltiplos canais, pressões políticas e uma sociedade cada vez mais desconfiada. Ainda assim, quando algo não é entendido, o diagnóstico costuma ser raso: faltou comunicar.
Pesquisa recente do Genial Quaest, com mais de 12 mil entrevistas realizadas em 2025, aponta queda generalizada na confiança em instituições democráticas, como partidos políticos, Congresso e Supremo Tribunal Federal.
Esse cenário evidencia um desgaste da credibilidade pública e aponta para um problema mais profundo na forma como as mensagens institucionais são recebidas pela população.
Vivemos em um ambiente de excesso de estímulos, no qual a atenção é disputada a todo instante. Nesse cenário, clareza, repetição e coerência deixam de ser escolhas estéticas e passam a ser responsabilidades públicas. Não basta estar disponível. É preciso ser acessível.
Outro ponto ainda pouco discutido é a escuta. Comunicação eficiente não começa na fala, mas na capacidade de ouvir. Ouvir críticas, dúvidas, reclamações e até o silêncio.
Comunicar bem dá trabalho. Exige planejamento, sensibilidade e disposição para revisar rotas. Exige reconhecer que, se a mensagem não foi entendida, talvez seja necessário repensar a forma, e não insistir apenas no conteúdo.
No fim, a comunicação pública cumpre seu papel quando constrói pontes, e não quando apenas registra atos. Porque informar é necessário. Mas fazer entender é essencial. E, como já se sabe, comunicação não é o que se diz. É o que o outro entende.

