A agenda de sustentabilidade avança de forma consistente no mercado cervejeiro brasileiro, e a criação do SustainBeer, pela CPLCerva (Cadeia Produtiva Local da Indústria de Máquinas, Equipamentos e Serviços para Cervejarias), marca um novo capítulo na consolidação de práticas ambientais mais robustas em toda a cadeia produtiva.
O lançamento da iniciativa ocorreu na tarde ontem, dia 3 de dezembro, na sede do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras) com a realização do seminário Sustentabilidade na Cadeia Produtiva da Indústria Cervejeira, e o evento contou com a participação de Paulo de Tarso Petroni, diretor-geral da CervBrasil e do Instituto Rever.
“O momento é decisivo para transformar ações pontuais em um movimento amplo, alinhado às demandas globais por eficiência e responsabilidade socioambiental”, disse Petroni ao abrir sua explanação.
Recém-chegado da COP-30, onde integrou discussões internacionais sobre clima, transição ecológica e políticas globais de sustentabilidade, Petroni apresentou um panorama atualizado sobre os desafios ambientais e produtivos que mobilizam o setor cervejeiro em escala mundial, aproximando tendências globais da realidade de indústrias, fabricantes de equipamentos e cervejeiros da região.
Petroni afirma que o setor já apresenta resultados relevantes, especialmente entre as grandes companhias, que têm ampliado metas de descarbonização, reduzido consumo de água e investido em energia renovável. No entanto, ele observa que ainda há desafios significativos para garantir que os avanços sejam uniformes. “Precisamos padronizar práticas entre empresas de diferentes portes e integrar de forma mais efetiva toda a cadeia — dos fornecedores agrícolas à logística e distribuição”, destacou.
Segundo o diretor-geral da CervBrasil, além das tecnologias já implementadas — como sistemas de reaproveitamento de água, uso de energia solar e biomassa, caldeiras de alta eficiência e captura de CO₂ durante a fermentação — Petroni aponta a agricultura regenerativa de cevada e lúpulo como um dos caminhos mais promissores para reduzir impactos ambientais futuros. Ele reforça que soluções logísticas mais limpas completam o ciclo de inovação necessário para fortalecer o compromisso do setor.
“Durante a COP 30, em Belém, apresentamos o ReCiclo, triciclo elétrico criado para coletar, triturar e facilitar o reaproveitamento de garrafas de vidro. É um veículo ágil e que facilita o recolhimento, facilitando o transporte e otimizando o processo de reciclagem. Com isso, promovemos a economia circular, a inclusão produtiva e a sustentabilidade ambiental na cidade. Ou seja, criamos uma solução e um produto de marketing”, informou Petroni.
Para garantir a adesão de cervejarias de diferentes portes, a CervBrasil aposta em ações de capacitação e construção conjunta de conhecimento. A entidade prepara materiais técnicos e ferramentas de monitoramento acessíveis, estimulando o avanço gradual de pequenas e médias indústrias. “O sucesso de iniciativas como o SustainBeer depende da participação de toda a cadeia produtiva. Queremos criar um ambiente colaborativo, com troca de dados e boas práticas entre indústria, fornecedores e instituições de pesquisa”, sentenciou.
Para Carlos Alberto Zem, consultor de projetos da entidade e gestor da CPLCerva, o SustainBeer nasce justamente para enfrentar esse cenário. “Um dos principais objetivos do SustainBeer Brasil é identificar, mapear e sistematizar as experiências de sustentabilidade já adotadas na cadeia produtiva cervejeira, incluindo práticas de eficiência hídrica e energética, reaproveitamento de resíduos, soluções de economia circular e estratégias ESG nas operações. A partir desse mapeamento, o programa busca gerar aprendizado coletivo, promover intercâmbio de conhecimento técnico e incentivar o desenvolvimento de projetos inovadores, especialmente direcionados à indústria de máquinas, equipamentos e serviços para cervejarias, consolidando o papel da CPLCerva como articuladora da transição sustentável no setor”, afirmou.
Ainda segundo Zem, o programa pretende monitorar indicadores fundamentais e incentivar projetos que tenham pegada hídrica, eficiência energética, emissões de CO₂, circularidade de embalagens e gestão de resíduos. A proposta inclui ainda estimular competitividade sustentável e orientar a evolução das empresas. “Nossa missão é oferecer parâmetros claros e transparentes, permitindo que o setor cresça de forma alinhada à responsabilidade ambiental”, explicou.
Também presente ao evento, Rafael Varussa presidente da Associação das Cervejarias da Região de Piracicaba (Piracerva), disse que a criação do SustainBeer é essencial para integrar todos os elos da cadeia — produtores, fornecedores, distribuidores e associações locais — criando um ambiente colaborativo para que a sustentabilidade deixe de ser um diferencial e se torne um padrão.
“Ao participar dessa iniciativa, a Piracerva mostra que o nosso setor está atento aos desafios ambientais e comprometido com soluções práticas. Reunimos 11 cervejarias e a entidade tem trabalhado para fortalecer as boas práticas entre as cervejarias da região, incentivando eficiência no uso de água e energia, redução de resíduos e a adoção de processos produtivos mais responsáveis”, informou. Seguimos empenhados em apoiar e disseminar iniciativas que tornem a cerveja artesanal cada vez mais sustentável, competitiva e alinhada ao futuro que queremos construir”, concluiu.
Marcelo Basso/Engenho da Notícia

