Em um cenário em que as redes sociais se tornaram uma das principais fontes de informação da população, a comunicação ambiental ganha novos contornos e responsabilidades, tanto que a atuação de influenciadores digitais especializados no tema tem se mostrado uma ferramenta relevante para ampliar o alcance das pautas socioambientais e estimular a participação ativa dos seguidores. Portanto, temas como sustentabilidade e meio ambiente têm concentrado a atenção do mundo todo, seja nos noticiários ou nas redes sociais, principalmente depois da COP30 realizada em Belém/PA, onde a agenda ambiental ganhou mais visibilidade e importância, impulsionada pelos chamados greenfluencers, influenciadores digitais com esse foco.
A conscientização ambiental tem ganhado novas formas de engajamento, e em Piracicaba uma delas atende pelo nome de Pira no Plogging. O movimento foi criado por Maura Rigoldi Simões da Rocha, que se define como greenfluencer e ativista ambiental, e tem como base uma prática simples, porém poderosa: correr ou caminhar enquanto coleta lixo descartado irregularmente em espaços públicos.
Inspirado no plogging, movimento criado pelo ambientalista sueco Erik Ahlström — que une as palavras jogging (corrida) e plocka upp (recolher, em sueco) —, o Pira no Plogging propõe a união entre atividade física e conscientização ambiental. A ideia é transformar o cuidado com a saúde e o bem-estar em uma ação concreta de preservação do meio ambiente, mostrando que pequenas atitudes podem gerar grandes impactos coletivos.
Por meio das redes sociais, Maura compartilha suas ações, registra os resíduos recolhidos e destaca a importância da responsabilidade individual com os espaços urbanos e naturais. A iniciativa, além de chamar atenção para o problema do lixo descartado de forma irregular, tem estimulado a reflexão sobre consumo, descarte correto e cidadania ambiental.
“Iniciei em 2018 e, desde então tenho realizado algumas ações, como no ano seguinte, para comemorar o Dia Mundial do Plogging. Através das redes sociais conseguimos a participação de cerca de 70 voluntários e, atuando nos arredores da Carlos Botelho e da Esalq, em Piracicaba, recolhemos quase 1 tonelada de lixo”, lembrou Maura, que continua atuando com o auxílio da página no Instagram.
O alcance do Pira no Plogging vai além das ações individuais. Ao tornar visível a prática, Maura tem inspirado outras pessoas a aderirem ao movimento, seja participando das caminhadas e corridas, seja replicando a ideia em diferentes bairros e espaços da cidade. A proposta coletiva fortalece o senso de pertencimento e mostra que a preservação ambiental pode ser acessível, colaborativa e integrada à rotina.
“Faço plogging no meu bairro e vou postando na página Pira no Plogging para que todos vejam como é simples e façam o mesmo. Sei de pessoas que começaram a adotar isso no seu estilo de vida e que também já criaram grupos em outras cidades”, disse a influenciadora e ativista ao explicar que o engajamento dos seguidores na página é orgânico.
Com uma atuação que une ativismo, exemplo prático e comunicação engajadora, Maura reforça o papel dos greenfluencers na mobilização social, mostrando que cuidar do meio ambiente pode — e deve — fazer parte do cotidiano das pessoas.
Compromisso e responsabilidade com a informação correta


Moldar a linguagem ao vasto mundo virtual que hoje dominam as relações universais exige conteúdos criativos e informativos, sendo exatamente isso que aponta a análise da digital influencer e engenheira ambiental Lais Lariva, que utiliza suas redes para traduzir conteúdos técnicos em informações acessíveis e aplicáveis ao dia a dia.
Para Lais, o influenciador ambiental exerce um papel estratégico ao aproximar temas complexos da realidade das pessoas. “Muitas vezes, a população quer fazer o certo, mas não sabe como. Quando a informação vem de forma simples, prática e próxima da rotina da cidade, ela vira educação ambiental de verdade”, afirma. Segundo ela, a comunicação nas redes precisa estar conectada a ações concretas, como a orientação sobre o descarte correto de resíduos, a promoção de eventos mais sustentáveis e o incentivo ao uso de soluções ambientalmente adequadas.
A escolha da linguagem e dos formatos é um dos fatores que contribuem para o alcance e a interação do público. Lais explica que evita termos excessivamente técnicos e aposta em exemplos cotidianos, além de diversificar os conteúdos entre vídeos curtos, stories, fotos de campo e bastidores da atuação profissional. “Isso aproxima o público e mostra que o meio ambiente não está só nos livros, mas nas ruas, nas casas, nas empresas e nos eventos da cidade”, destaca a gestora de resíduos e estrategista em sustentabilidade.
A resposta dos seguidores confirma essa estratégia. De acordo com a engenheira, os conteúdos que apresentam a realidade sem romantização são os que mais geram comentários, compartilhamentos e engajamento. Temas como descarte irregular de resíduos, impactos ambientais visíveis e explicações sobre a destinação correta despertam identificação imediata. “As pessoas gostam de entender o ‘por quê’ e, principalmente, o ‘como fazer’”, observa a consultora que tem mais seis mil seguidores.
A interação também se reflete na participação ativa do público no debate ambiental. Lais relata que recebe mensagens frequentes com dúvidas, relatos de situações urbanas, perguntas técnicas e até denúncias. Essa troca acontece, sobretudo, por meio dos stories e das mensagens diretas. “Quando a informação é clara, as pessoas querem participar, opinar e aprender. O interesse existe, só faltava alguém traduzir o assunto de forma acessível”, analisa.
Apesar do impacto positivo, comunicar meio ambiente nas redes sociais envolve desafios. Para Lais, a principal responsabilidade de quem atua nessa área é o compromisso com a informação correta. “Meio ambiente é um tema sério e não pode ser tratado com achismo ou informações falsas. Quem comunica precisa estudar, se atualizar e ter cuidado com o que publica, porque isso influencia diretamente o comportamento das pessoas”, ressalta.
A análise da atuação de Lais Lariva nas redes evidencia que o alcance da comunicação ambiental não está apenas nos números, mas na qualidade do engajamento gerado. Ao promover diálogo, esclarecer dúvidas e incentivar mudanças práticas, a presença digital se consolida como uma aliada importante na construção de atitudes mais sustentáveis e conscientes na sociedade.

