2026 já começou com um calendário recheado de eventos que atravessam o cotidiano do país e mobilizam emoções coletivas. Carnaval, Copa e Eleições não são apenas datas marcadas no calendário. São experiências que despertam expectativas, memórias e posicionamentos. Arrisco dizer, sem medo de errar, que em pelo menos um deles você, leitor, tem alguma conexão.
Mas vamos ao ponto central desses três acontecimentos que movimentam o Brasil.
Carnaval não se faz em fevereiro.
Copa do Mundo não começa no apito inicial.
Eleição também não começa na campanha.
Os três são o ponto visível de processos longos, planejados e profundamente conectados às emoções coletivas. Nenhum deles estaria pronto para o grande dia sem um trabalho estratégico, intenso e antecipado de bastidores, seja na definição de alegorias e enredos, no esquema tático de jogo ou nas costuras partidárias. Esse trabalho raramente é percebido pelo público, mas é ele que sustenta o espetáculo.
No Carnaval, o brilho da avenida nasce do planejamento e da narrativa capaz de transformar ideias em emoção coletiva. Na Copa, o desempenho em campo reflete preparo, estratégia e a expectativa criada em torno da seleção.
Na política, o raciocínio não é diferente. A eleição é o momento visível de um processo que se constrói muito antes, a partir das decisões tomadas no cotidiano da gestão pública. É nesse percurso que se formam percepções, se acumulam frustrações ou se constrói confiança.
É justamente nesse intervalo, entre o que acontece nos bastidores e o que chega ao público, que a comunicação assume papel central. Não como propaganda, mas como instrumento de organização de sentidos. A forma como o poder público comunica suas escolhas, seus silêncios e suas prioridades influencia diretamente a relação da população com a política, especialmente em tempos de dificuldade para diferenciar informação de narrativa.
Essa dinâmica dialoga com o que o cientista político Felipe Nunes aponta em Brasil no Espelho, ao mostrar como emoções como medo, esperança, frustração e pertencimento moldam percepções políticas. Ao mesmo tempo, estudos como O Brasil Invisível, da More in Common Brasil, revelam um país que raramente aparece nos extremos do debate público, um Brasil menos barulhento, mais pragmático, em busca de estabilidade, respeito e soluções concretas para o dia a dia. Barulho nem sempre é feito pela maioria.
Esse contraste ajuda a compreender o desafio da comunicação pública em um ano político. Comunicar não é amplificar conflitos, mas prestar contas, dar clareza às decisões e construir confiança. O silêncio também comunica, assim como o excesso de discurso vazio.
Carnaval, Copa e Eleições nos lembram que não há sustentação apenas no espetáculo. Seja na avenida, na arquibancada ou na vida pública, é o processo que dá consistência ao resultado. O ano político começa antes da eleição, porque confiança não se constrói às pressas. Ela é fruto de escolhas responsáveis, coerência e diálogo contínuo com a sociedade.

