Entre os dias 12 e 18 de março, em Austin, no Texas, aconteceu o SXSW 2026 – South by Southwest – um dos principais festivais anuais globais de inovação, tecnologia, cultura e negócios do mundo, que reuniu profissionais e marcas para dias de palestras, painéis, shows, exibições de filmes e networking global.
Um verdadeiro termômetro de tendências testadas em tempo real, com discussões importantes sobre o que vem pela frente: de inteligência artificial a comportamento, mídia e novos modelos de negócio.


E, como já era esperado, a IA dominou boa parte das conversas.
No segundo dia de evento, o cineasta Steven Spielberg foi aclamado pelo público, lotando a sala e deixando muitos do lado de fora, sem conseguir entrar. O diretor de Tubarão, E.T, Jurassic Park, Indiana Jones, entre outros filmes inesquecíveis, participou de um episódio ao vivo do podcast The Big Picture, liderado por Sean Fennessey, e falou sim sobre tecnologia e IA, mas trouxe também à tona uma questão sobre uma das habilidades mais antigas e importantes da humanidade: a de contar histórias.
Narrativa: o verdadeiro diferencial competitivo
Nos dias de hoje, criar conteúdo não é mais difícil, venhamos e convenhamos. Com a IA à nossa disposição, qualquer pessoa escreve, roteiriza e organiza ideias. A execução, como diferencial, perdeu a sua força.
Mas o que separa um conteúdo comum de um narrativa que realmente conecta é outra coisa: é a capacidade humana de construir significado.
“São as histórias que nos tornam humanos”, disse Spielberg, durante sua participação ao vivo no podcast. A mais pura realidade: as histórias nos tornam mais humanos e são elas que tornam qualquer mensagem memorável.
Neste cenário atual, onde tudo pode ser gerado rapidamente, o que passa a ter valor não é mais a produção em si, mas sim a intenção por trás do que está sendo produzido. Intenção é: o motivo por trás de uma ação, o porquê antes do fazer.
A aceleração da comunicação está acontecendo em tempo real e isso é inevitável. A narrativa ficou mais rápida, mais fragmentada e em muitos casos, superficial. Quando aceleramos demais a nossa produção, sem o toque humano por trás (leia-se: refinamento, lapidação do texto, tom e voz, etc), podemos errar na construção do que está sendo dito, na mensagem central. E ao usar a IA de forma inapropriada para criar conteúdo, por exemplo, você está deixando de lado a sua habilidade humana tão intuitiva e eficaz na comunicação.
Se por um lado Spielberg evita o excesso de estímulos digitais no cotidiano, por outro ele reconhece que ciência e tecnologia continuam sendo motores fundamentais de suas narrativas. Ele também comentou sobre como o ambiente digital e o consumo acelerado, impulsionados por plataformas como redes sociais Instagram e TikTok, influenciam o ritmo das narrativas audiovisuais, tornando tudo mais rápido e, muitas vezes, menos profundo.
Para ele, a narrativa nasce da interpretação, do repertório e da nossa intuição, algo genuinamente humano: “O melhor amigo de qualquer criador é a intuição”, disse ele durante a sua entrevista. “Durante as filmagens, sua intuição é sua melhor amiga. E se você escutá-la, ela vai te guiar”, concluiu Spielberg.
O erro silencioso de quem cria conteúdo com IA
O uso mais comum hoje que eu vejo quando falo com um criador de conteúdo ao usar a IA é: querer acelerar a produção, facilitar e ganhar escala. Até aqui, nada de errado e eu também almejo isso quando uso a IA para ser um facilitador das minhas produções.
O problema é outro: quando o criador quer terceirizar o pensamento. E quando o pensamento é terceirizado, ele perde o que sustenta a sua autoridade: clareza. E sem clareza, a IA não resolve nadinha de nada, pelo contrário, ela apenas amplifica a confusão.
E sem clareza, meus queridos leitores, é impossível se posicionar no mercado. Você e a sua marca serão mais um na multidão, fazendo barulho e não atingindo ninguém, pois sem uma narrativa real, ninguém se posiciona, pode acreditar.
O que Spielberg nos ensinou no SXSW
A narrativa vem antes de qualquer ferramenta.
Se você não sabe o que quer dizer, a IA só irá organizar confusão. Use a sua intuição humana como estratégia, pois você não pode desperdiçar esse estímulo tão profundo e genuíno para destacar suas histórias.
O maior ensinamento de todos: IA sem narrativa só piora a comunicação!
Pra fechar
Os 7 insights poderosos de Steven Spielberg, que vai ajudar na sua comunicação:
Use como um guia 😉
- Histórias continuam sendo o núcleo da comunicação– sem narrativa, não existe conexão.
- Intuição é parte do processo estratégico– nem tudo relevante nasce do planejamento.
- Velocidade sem profundidade não sustenta atenção– rapidez não substitui densidade.
- IA é suporte, não direção– ela executa melhor do que decide.
- O inesperado faz parte da criação– controle total não gera originalidade.
- Atenção precisa ser protegida– distração constante compromete qualidade.
- O diferencial está no significado –não é sobre produzir mais. É sobre fazer sentido.
Em tempo
Ainda sobre a sua participação no SXSW, o diretor Steven Spielberg falou sobre o seu novo filme Disclosure Day (Dia D), um suspense de ficção científica sobre a chegada de OVNIs e seres extraterrestres à Terra, explorando um evento de revelação global e conexões com humanos. Dirigido por ele próprio, com roteiro de David Koepp, tem elenco com Emily Blunt, Josh O’Connor, Colin Firth, Eve Hewson, entre outros atores, além da trilha de John Williams. O filme estreia nos cinemas brasileiros no dia 11 de junho de 2026, pela Universal Pictures e Amblin Entertainment.

