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Podcasts gerados por IA: oportunidade ou ruído?

Você já pensou em ter o seu próprio podcast? Essa é uma pergunta que ecoa na mente de criadores de conteúdo, empreendedores e entusiastas da comunicação em todo o mundo.

Antes de mergulharmos nas possibilidades de ter um podcast para chamar de seu, vale entender o básico: um podcast é um programa de áudio (ou vídeo) digital, geralmente episódico, que pode ser baixado, transmitido ou ouvido sob demanda via internet, em plataformas como Spotify, Apple Podcasts ou YouTube.

Essa flexibilidade total ao ouvinte revolucionou o consumo de histórias, debates e conhecimento, permitindo ouvir no carro, na academia ou a qualquer hora.

O termo “podcast” surge da fusão criativa entre “iPod”, o icônico reprodutor da Apple, e “broadcast” (transmissão, em inglês). Ele foi cunhado em 2004 pelo jornalista britânico Ben Hammersley, em um artigo no The Guardian, para descrever a distribuição de áudios em dispositivos móveis, democratizando o rádio tradicional.

No Brasil, o pioneirismo veio com o Digital Minds, de Danilo Medeiros, que estreou em 21 de outubro de 2004, um marco que abriu o caminho para uma explosão de produções locais.

Mas voltando à pergunta inicial: se você imaginou um podcast próprio, como seria? Quais temas seriam abordados? As questões são infinitas: equipamentos, roteiro, edição, distribuição e, claro, consistência para conquistar ouvintes.

Tradicionalmente, isso exigia investimento de tempo, microfone profissional e habilidades técnicas, o que afastava muitos aspirantes.

A revolução da IA na criação de podcasts

Com a chegada da inteligência artificial, a forma de criar podcasts está mudando radicalmente. Ferramentas como NotebookLM (do Google), HeyGen e Monica AI transformam textos, PDFs ou links em episódios completos, com diálogos realistas entre “vozes sintéticas” simulando conversas humanas, tudo por custos irrisórios, como US$ 1 por episódio.

Relatórios recentes, como o da Bloomberg baseado no Podcast Index, revelam que 39% dos novos episódios publicados em abril de 2026 foram gerados por IA. Um exemplo disso é a startup Inception Point AI, criada em 2023, que publica cerca de 3.000 podcasts por semana com uma equipe de apenas oito pessoas. Em uma matéria divulgada pela Isto É DinheiroJeanine Wright, fundadora da Inception, explica que o objetivo imediato é apostar na quantidade: a partir de um episódio produzido a US$ 1 (R$ 5,46), a publicidade torna-se rentável com apenas 20 reproduções.

Mas com a produção de podcasts em massa, será que os ouvintes realmente querem consumir esse tipo de conteúdo? Esse cenário deu origem ao chamado “podslop”: podcasts automatizados de baixa qualidade, repletos de imprecisões e repetições, forçando plataformas como o Apple Podcasts a exigirem a sinalização obrigatória de conteúdo gerado por IA.

Por outro lado, ter tantas ferramentas à disposição acelera a criação de protótipos, abre possibilidades para testar novas narrativas e permite escalar a produção sem perder o toque humano na curadoria. Sempre gostei de testar essas possibilidades e acho muito válido, inclusive para descobrir se o seu público vai gostar e consumir o que você tem a oferecer.

O que realmente faz um podcast durar?

A verdade é que nunca foi tão acessível ter um podcast próprio. Os custos caíram, as barreiras técnicas diminuíram e as ferramentas se multiplicam a cada dia. Mas é justamente nesse mar de facilidades que o diferencial humano ficou mais valioso do que nunca.

Seja voz humana ou voz sintética, a verdade é uma só: ouvintes se conectam a uma perspectiva, a uma história de vida, a um ponto de vista que só existe porque alguém viveu aquilo, algo exclusivamente humano, independente de quem esteja contando a história.

A IA pode gerar episódios em escala (e cada vez mais veremos isso acontecer) mas a narrativa que será gerada parte de um humano, de um história. A forma como será entregue é que são elas.

Então, se você ainda está pensando em começar, talvez a pergunta certa não seja “como faço um podcast?”, mas sim “o que eu tenho a dizer que mais ninguém pode dizer do jeito que eu digo?”. A resposta para essa pergunta é o seu programa.

A tecnologia, incluindo a IA, é apenas o caminho para levá-lo até quem precisa ouvir.

Dica da Sabrina:

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Até semana que vem!

Eu sou Sabrina Scarpare, jornalista, mentora de storytelling e IA para marcas, além de escritora desta newsletter Storytelling & IA para Marcas. Toda semana, envio na sua caixa de e-mails artigos e informações atuais sobre os temas comunicação, storytelling, IA e marcas.

Saiba mais aqui.

 

 


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