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Um Calderoni “cozinha” a sopa da ingenuidade universal

Adaptação da peça de músico e dramaturgo paulistano é mais datada que horóscopo da TV Gazeta no horário comprado por igreja que impede o noticiário do desastre maduro que se avizinha

 

Roger Marza, é músico-musicoterapeuta e escritor – “Oxum deusa das águas, sereia cantora, rainha, reges minha garganta, de onde nasce esse som…” São com perfumes e flores de Mariene de Castro ofertadas à Deusa Rosa de meu terreiro, que faço alguns apontamentos desapontados sobre a peça “Os Arqueólogos”, do músico, roteirista, dramaturgo e teatrólogo Vinícius Calderoni, em adaptação do professor Marcelo, da Teatro Escola Macunaíma.

A peça, que levou Calderoni a vencer como Melhor Autor na premiação da Associação Paulista de Críticos de Arte, terá direção de minha companheira Adriana Costa com seus alunos do Macunaíma neste semestre. Por isso, consegui ler essa adaptação, que muito me deixava curioso, especialmente porque eu havia entrevistado Calderoni para um blog de música que já tive.

Nesta peça instigante pero no muchô, Calderoni faz uma metáfora sobre como futuros arqueólogos interpretariam a nossa contemporaneidade de escuridão, na qual se houve (se há) esperança, que fosse apenas o clamor dos tambores: nem rio, nem poesia, só tambor ecoando em clamor dia e noite pela vida. “No parto, abençoa a minha mãe, e me curvo à minha mãe, mas do que abençôo”, canta Tiganá Santana em “Reverência”.

O material analisado por esses arqueólogos, um jovem e um velho, são matérias de jornais, que retratam o cotidiano enquanto show, seja nas estatísticas de atropelamentos, na violência contra a mulher, sobre partos de gêmeos que mais parecem E.T.s de Varginhas com Fio Terra já de nascimento, telepatias de estupradores modernos que voam em pirâmides, “jornalistas vorcáticos” ou em brigas de casal, com a dúvida sobre qual é realmente a dimensão da paixão e do que é o amor. “De que valerá o arrebol. De que servirá ser alada. Se a inocência lhe fez culpada. Qual rosa que despetalou. Pra ser ofertada”, diz o negro e príncipe baiano em “Do alto”.

Como atuei na imprensa e em agências de comunicação por 30 anos, como em assessorias de imprensa até de músicos como Calderoni, avalio que o autor é, de certa forma, ingênuo: o texto transparece que os jornais e revistas impressos teriam alguma superioridade frente aos canais eletrônicos___->>>>….-à>>-à {Okê, arô, meu pai Oxossi}+= isso é um tipo de alucinação natural em quem não tem uma educação crítica para a comunicação social. Além disso, coloca todos os jornalistas no mesmo “saco-santo”.

Aos fatos! – Mas vamos aos fatos da peça, que é algo contemporaníssississsisssisssifu. Era uma vez janeiro de 2023, quando a cabocla Jurema teve que sustentar os Três Poderes frente à ameaça de golpe dos bolsonaristas, com ajuda de Xangô e Ogun.

Ouça agora · 3:33

(Ilustração e música que fiz da Cabocla Jurema para o Livro-Musical Ireretê: uma estória à brasileira)

O canto pela liberdade, no entanto, continua a clamar a senhora das nuvens de chumbo, a rainha dos raios e a mãe do tempo com antenas até hoje ativas. “Mulher errou de caminho”, canta Tiganá Santana… Será o canto na madrugada no pós-eleição de primeiro turno de mãe oiÁ?

O tempo ainda ruim, seja no Supremo Tribunal Federal, seja no Congresso Nacional, seja nos efeitos devastadores das mudanças climáticas e na seca no Centro-Oeste e Nordeste: esses indícios apontam que sim, o caminho é muito mais tortuoso que a escrita de Deus, de Olorum. Sem contar a política de compensação ambiental: pensando em exemplos absurdos, é como se o sujeito privatizasse o Parque Villa-Lobos e a reposição de área ocupada fosse a de colocar planta asiática da sorte com laço vermelho na porta de um prédio. Isso prá mim, é laço da cor da minha pomba-gira.

A sociedade hoje é extremamente careta, da infância à vida adulta. Na “minha época”, Bozo adorava um pó Dip’n Lik, vi Xuxa desfilando em Americana como modelo com as pernocas de fora na década de 1980, e fazendo programa de televisão estimulando a sexualidade; minha primeira pipa que voou foi assistindo um filme americano de E.T.s com cabeça de bicho mas com seios fartos. Depois, na cama, o marido não vai querer Dip’n Lik da companheira/esposa/propriedade (dependendo da religião e filosofia de vida) que beija a sua filha no rosto… Isso é uma mão direita que coça e que não quer dizer fortuna chegando, mas sim porque lá nasceu um formigueiro de Buñuel!

Aos leões da TV Brasil às crianças! Elas querem ver a natureza, elas querem conhecer o ciclo reprodutivo, sexual dos passarinhos, elas não precisam falar duas línguas nas escolas chiquérrimas de Alto de Pinheiros, duas línguas quem tem é cobra cascavel! Elas precisam falar a linguagem universal do amor!

Mas não basta só abraçar árvore, é preciso Justiça: ao caminhar dia 21 de setembro no Villa-Lobos fiquei sabendo da história de um soldado que, após uma missão, foi preso como caiçara-bandido por caçar saruê para alimentar sua família. Se meu interlocutor estava dizendo a verdade, isso não saberemos, Elon Musk ainda não conseguiu fazer da Neuralink uma empresa viável, graças a Olorum! Neusadine (s.i.f $ SIC) da Drogasil nele! O fato é que a realidade é muito mais complexa que uma peça de teatro… Natureza versus sociedade, Cru e Cozido, ovo frito ou mexido?

Numerologia Sagrada – Outra ingenuidade querîd@xs é que ele brinc@ com numerologia “sagrada”: não apenas por utilizar números que são do universo da “cristandade malandra”, mas por acreditar que números relacionados ao hinduísmo “safatle”, ou à yoga da quebrada, seriam capazes de alguma harmonia social. Pergunte a alguns yogues qual é a solução para o caos e eles não apontarão Shiva, mas o Meu Marido Marceneiro. Em cada atividade do homem, seja laboral braçal, intelectual, religioso ou cultural, há sempre uma “malandragem”.

E o setor financeiro? Sementes na Faria Lima? Isso eu já plantei, é uma música que fiz com som de escada rolante com defeito do referido metrô! Jogo de búzios eu nunca fiz, nem cartomante, só baralho cigano de mamãe Egunitá! “Se o fogo for bom, ele não queima toda a floresta”, diz Dersu Uzalá, no incrível filme de Akira Kurosawa. O que será, o amanhã, qual vai ser o nosso destino? {Meu psiquiatra que me lê deve agora estar fazendo o relatório de internação!}

Há harmonia? – O Universo é uma grande desarmonia: as mesmas desarmonias que, inexplicavelmente sem explicação ainda pela ciência, nos fez gente, bicho, luz. “Quanta é gente”, como canto e quase “encanto” na música que está no álbum de mesmo nome que compus sob meu pano de costa do desenvolvimento da Umbanda. Somos gente, somos planta, porque não somos iguais nem nas nossas próprias mãos, o que não é necessariamente desarmonia, a não ser pela luz da ciência positivista de Simão Bacamarte. Há um nome científico nisso que se aproxima dessa idéia: “quiralidade”.

Há no texto do dramaturgo-músico uma visão crítica sobre religiões, aliás. Outra generalização ingênua. E, aliás, se também a filosofia não tivesse seus “babaluaês” que posam em propagandas de banco comercial que explora até o osso o povo que precisa de financiamento, assim como o Márcio Canuto, ex-jornalista-palhaço que dá a cara lavada e o bigode bem aparado para comercial na TV para a Casas Bahia. Não há problema algum em ganhar dinheiro fazendo coisas boas para a sociedade, como na divulgação da filosofia, da religião, da política, da arte, mas tudo tem o seu “ethos” e seu “daimon”. Pathos, só o meu personagem, o caboclo Ireretê, que ganhará um livro em breve, aguardem, gentem!

A violência, o extremismo, com certeza cresceram de 2023 até agora. Haja visto o resultado do primeiro turno das Eleições. E não me admira se caso eleito, Lula seja deposto pelos mesmos golpistas que derrubaram Dilma Rousseff. Mas outra ingenuidade – por isso que gosto do Vinícius, somos ambos ingênuos – é acreditar que a ciência traduz uma suposta realidade, como se a matemática fosse possível de dar conta da inexplicável poesia de existir, seja homem, trans, mulher, criança, velho ou planta e pedra.

O Instituto Questão de Ciência, por exemplo, financiado pela Serrapilheira (“Serrapilhada”, potássio, potássio, potássio!) – e vai saber mais por quem – ataca quem estuda a correlação entre espiritualidade e ciência, jogando fora toda a história da evolução da ciência dos pré-socráticos até Albert Einstein, para quem o Universo não jogava dados: motivo pelo qual criticou a própria ciência quântica que ajudou a fundar pelos seus estudos de algo que nenhum físico ainda sabe explicar, que é a luz.

This is the end? – Perdoe-me os brios do nobre teatrólogo, que me parece bom, embora eu não seja nem pior, nem melhor que ele: mas é tocante a busca do autor de “Arqueólogos” de uma reconciliação entre o jovem e o velho arqueólogo, uma meiga referência à Belchior e Elis Regina em “Como os nossos pais”, que meiga referência, todos, TODAS, todes, amam a Elis, querem até fazer revivê-la em IA…

É como se Calderoni dissesse: Belchi, Li Li, no futuro, o velho terá a coragem do jovem, sua impetuosidade, e o jovem terá a sabedoria do velho, não seremos mais como nossos pais! É natural: eu tenho 52 anos e ainda estou nesse dilema “tostines” – ponto final, parentes –… Imagine então o jornalista Júlio Maria, que fez uma biografia sobre Elis, que até hoje talvez não tenha feito uma xuká!

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Ouça agora · 5:39

{A primeira expedição chefiada por um brasileiro no Egito, o professor José Roberto Pellini, da UFMG, que teve início em 2015, parece ter conseguido dar um passo além: a identificação de “gênios”, ou bem dizer, espíritos, que habitam a tumba identificada como TT123, localizada no Vale dos Nobres, em Luxor. – EXCLUSIVO EM Sincronicidades}


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