(17-06-2019) A mitologia, com suas lendas, mitos, deuses e monstros, nos ajuda a entender aspectos de nossa história e de nossos comportamentos. Pois bem, vários pesquisadores da área, entre eles: Sears, Aguiar e Bulfinch, contam que um cão de três cabeças chamado Cérbero ficava na porta do submundo para vigiar a entrada. No entanto, esse personagem tinha uma característica interessante: era extremamente gentil e envolvente ao conquistar as pessoas ou mortos para entrarem no inferno, porém, implacável e extremamente feroz com os que tentavam sair.
Assim como várias outras lendas mitológicas, a história do cão de três cabeças e do submundo reinado por Hades – que era irmão do soberano Zeus (deus do céu) e de Poseidon (deus dos mares) – nos traz um aprendizado importante. Cérbero pode representar as tentações, as más influências que precisamos enfrentar todos os dias. Elas se apresentam de maneira sedutora e convincente, nos atentam, principalmente quando estamos no nosso submundo interno. Quando não estamos muito bem, as más influências e as tentações parecem ser tão boas, tão necessárias e inofensivas. No entanto, uma vez que nos rendemos a elas ou nos deixamos levar pelo caminho mais fácil, poderemos ter grandes dificuldades para sair de seus domínios.
O inferno, por sua vez, pode representar uma parte de nós. Sim, todos nós possuímos nosso próprio submundo, nossa parte mais “sombria”, onde guardamos nossas culpas, medos, inseguranças e mágoas. Se não percebermos os cães sedutores, os cérberos, que nos levam para baixo, podemos ficar presos e escravos dessa nossa parte mais “fraca”.
Waldemar Magaldi em seu livro “Dinheiro, Saúde e Sagrado” comenta que na busca por nosso sentido existencial temos que enfrentar contínua e conscientemente as três cabeças de Cérbero por meio dos embates das polaridades. Essas extremidades estão presentes em nossa vida a partir do momento que acordamos, quando precisamos decidir entre o levantar e iniciar nossas atividades de maneira ativa ou a rendição à preguiça de ficar mais um pouco na cama; está presente nas inúmeras vezes que precisamos escolher entre fazer o que é certo ou o que é mais fácil; entre ser bom ou mal; entre agir por instinto ou pela razão etc.
Curiosamente na mitologia, a derrota mais famosa do cão Cérbero se deu com o herói Hércules. Segundo a lenda, o Herói estava em uma longa e exaustiva luta com o cão quando um buraco foi aberto acima do submundo com a ajuda de Atenas (deusa da sabedoria), permitindo que o monstro encontrasse a luz. Como sempre vivera na escuridão, o cão foi “atordoado” pela iluminação e Hércules pode vencê-lo.
Essa grande luta entre Hércules e Cérbero nos mostra que o grande cão pode ser vencido por meio da sabedoria. A partir do momento que saímos de nosso submundo e vamos para luz, tomamos consciência acerca das artimanhas utilizadas pelo monstro para nos aprisionar e podemos vencê-los. Coincidentemente, o que mais precisamos usar para nos manter mais protegidos dessas tentações, mais cientes de nossas reais necessidades e perigos, é justamente o cérebro.
É justamente por meio do fortalecimento de nossa área executiva cerebral que conseguimos diminuir nossa vulnerabilidade emocional, melhorando nossa autogestão e nos afastando das amarras de nosso submundo.
Finalizo o texto de hoje com uma frase de Jung que eu gosto muito: “Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino”.
Até a próxima,
Namastê!
Alessandra Cerri é sócia-diretora do Centro de Longevidade e Atualização de Piracicaba (CLAP), mestre em Educação Física, pós-graduada em Neurociência e pós-graduanda em Psicossomática.
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